WALTERCIO CALDAS

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WALTERCIO CALDAS

galeria marcelo guarnieri | ribeirão preto

abertura
17.03.2017 / 18h – 21h

período de visitação
17.03 – 17.05.2017


rua nélio guimarães, 1290
ribeirão preto – sp – brasil / 14025 290
[ mapa/map ]


A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, em sua unidade de Ribeirão Preto, a exposição individual de Waltercio Caldas.

A busca de Caldas é por um olhar modificado pelo espanto do objeto sem nome e sem história. Pelo estado de suspensão em que nos encontramos quando em situações fronteiriças, do espaço “entre”: entre realidade e ilusão, silêncio e matéria, bidimensional e tridimensional, entre palavra e imagem, entre a linha do horizonte e o abismo.

A geometria, sendo estruturada por razões matemáticas, é comumente associada à ideia de certeza, assertividade e previsibilidade, no entanto, dentro do trabalho de Caldas, ela parece nos apontar para uma realidade que vai além desses limites: seja nos desenhos sobre papel, quando a linha ou o ponto ganham um corpo e se lançam no espaço para além da superfície, seja nas arestas de seus sólidos geométricos que, ora se apresentando irregulares entre si, ora sugerindo um caminho ainda a ser percorrido até que o volume se complete, nos projetam para outros planos que não se presentificam no traçado. É uma espécie de dúvida do mundo que mobiliza a produção de Waltercio Caldas e que solicita ao observador especulações sobre ele a partir do olhar.
A transparência e o reflexo são elementos igualmente importantes nos trabalhos apresentados nesta exposição, que, embora não sejam constituídos por espelhos ou vidros – materiais presentes em muitas das peças do artista -, possuem em sua composição os dados dessas naturezas. É o caso da obra Sem Título, de 2013, composta por arestas de aço inox que sugerem duas formas tridimensionais que se enfrentam, se espelham e que são mediadas por um bloco preto e maciço de obsidiana negra polida. Na cultura Asteca, tal pedra servia de matéria prima para o poderoso espelho de obsidiana, símbolo do deus da feitiçaria, Tezcatlipoca, cujo significado se dá por “Espelho Esfumaçado”; era utilizado em rituais de adivinhação por xamãs e entendido como um objeto que refletia ao mesmo tempo observador e observado. Esse quase-duplo não-idêntico de arestas que se reflete através de um “Espelho Esfumaçado”, parece nos colocar diante da distorção, condição inerente, embora muitas vezes imperceptível, dos materiais reflexivos e translúcidos, e que pode também dar origem ao efeito, a que chamamos de ilusão, dos arranjos da imagem sobre o olho. Tal efeito é explorado ainda nos desenhos, como, por exemplo, naquele de 2014 em que vemos formas ovais ganharem volume e saltarem do plano por meio do jogo de luz e sombra no uso do pastel, ou em outros que se constroem seguindo as leis da perspectiva euclidiana.

O repertório da história da arte é entendido por Caldas como material de trabalho, tanto quanto é o bronze, o aço inoxidável, o ar, os fios de lã ou os campos de cor. “Considero a arte um fluxo, um rio que cada artista faz movimentar um pouco. Por outro lado, vejo a história da arte como uma matéria contínua, resultado desse fluxo, onde um ou outro trabalho me interessa particularmente. […] Minha intenção ao utilizar a história da arte como matéria plástica é dar crédito a esse fluxo. Materializá-lo de modo que o reconhecimento dessas mudanças se torne assunto do trabalho […]”

O uso que faz das palavras em algumas de suas obras, afirma seu interesse pela linguagem como ponte entre uma imagem visível e uma imagem possível e, mais do que isso, como aquilo que pode provocar um momento de desorientação psíquica, um estranhamento. A palavra ganha uma espécie de vida que extrapola a sua função dominante, sugerindo imagens que rearranjam o funcionamento do organismo que habita, seja no desenho, seja no objeto, seja na instalação.

A mostra, que reúne desenhos e objetos produzidos, em sua grande maioria, nos últimos cinco anos, nos aproxima do interesse do artista pela construção de significados através do olhar e do encontro com o desconhecido.


Waltercio Caldas nasceu em 1946 no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha.
Suas obras estão nas seguintes coleções: Museum of Modern Art, Nova York, EUA; National Gallery of Art, Washington, EUA; Fundación Cisneros – Colección Patricia Phelps de Cisneros, Nova York, EUA; Caracas, Venezuela; Blanton Museum of Art, Austin, Texas, EUA; Neue Galerie, Staatliche Museen, Kassel, Alemanha; Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil.
Participou de inúmeras exposições individuais e coletivas desde o final dos anos 1960, destacando-se: Bienal de Veneza, Itália; Bienal de São Paulo, Brasil; Documenta, Kassel, Alemanha; Gwangju Biennale, Coreia do Sul; Bienal de Cuenca, Equador; Bienal de Havana, Cuba; Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Pinacoteca de São Paulo, Brasil; Stedelijk Museum Schiedam, Holanda; Queens Museum of Art, Nova York, EUA; MAR – Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil; Malba, Fundación Constantini, Buenos Aires, Argentina.

WALTERCIO CALDAS

galeria marcelo guarnieri | ribeirão preto

opening
March 17, 2017 / 6 – 9pm

exhibition
March 17 – May 17, 2017


rua nélio guimarães, 1290
ribeirão preto – sp – brasil / 14025 290
[ mapa/map ]


Galeria Marcelo Guarnieri presents for the first time an individual exhibition of Waltercio Caldas in Ribeirão Preto.

Waltercio Caldas searches for the look modified by the amazement of the object with no name and no history. He searches for the state of suspension in which we find ourselves in border situations, of the space “ in between”: between reality and illusion, silence and matter, two-dimensional and three-dimensional, between words and image, between a horizon line and an abyss.

The geometry, structured for mathematical reasons, is commonly associated with the idea of certainty, assertiveness and predictability; however, within Caldas’s work, it seems to point us to a reality that goes beyond these limits. Whether in drawings on paper, when the line or the point gain a body and launch into space beyond the surface, or on the edges of its geometric solids – which sometimes appear irregular to each other, sometimes suggesting a path still to be traveled until the volume is completed – they project us to other plans that are not evident in the layout. It is a kind of doubt of the world that mobilizes the production of Waltercio Caldas and asks the observer to speculate about it from the look.

Transparency and reflection are equally important elements in the works shown in this exhibition. Although they are not made of mirrors or glass – materials present in many of the artist’s pieces – they have in their composition these nature data. This is the case of Untitled, 2013, composed of stainless steel edges that suggest two three-dimensional shapes that face each other, mirrored and mediated by a massive block of polished black obsidian. In Aztec culture, this stone was used as raw material for the powerful mirror of obsidian, a symbol of witchcraft god Tezcatlipoca, whose meaning is “Smoky Mirror”; it was used in rites of divination by shamans and understood as an object that reflected at once both observer and observed. This almost double non-identical edge that is reflected through the “Smoky Mirror” seems to put us in the face of distortion, an inherent though often imperceptible condition of reflective and translucent materials, and which can also cause the effect, which we call illusion, of the arrangements of the image to the eye. The artist also explore this effect in the drawings, as for example, the one of 2014, in which we see oval forms gain volume and leap from the surface through the play of light and shadow on the use of pastel; or others that are constructed following the laws of the Euclidean perspective.

Caldas understands the repertory of art history as material for his works, just like brass, stainless steel, air, wool yarns or the color fields are. “I consider art a flow, a river that each artist makes move a little. On the other hand, I see the history of art as a continuous matter, the result of this flow, where one or another work interests me in particular. […] My intention when using the history of art as a plastic matter is to give credit to this flow. Materialize it so that the recognition of these changes becomes the subject of the work […] ”

The use of words in some of Caldas works stresses his interest in language as a bridge between the visible image and the possible image and, more than that, as something that can provoke a moment of psychic disorientation, some estrangement. The word gains a sort of life that surpasses its dominant function; it suggests images that rearrange the function of the organism that inhabits, whether in the drawing, the object, or the installation.

The show assembles drawings and objects produced mainly in the last five years and brings us closer to the artist’s interest in the construction of meaning through the eyes and the encounter with the unknown.


Waltercio Caldas was born in 1946 in Rio de Janeiro, where he lives and works.
His works are in the following collections: Museum of Modern Art, New York, USA; National Gallery of Art, Washington, USA; Fundación Cisneros – Colección Patricia Phelps de Cisneros, New York, USA; Caracas, Venezuela; Blanton Museum of Art, Austin, Texas,USA; Neue Galerie, Staatliche Museen, Kassel, Germany; Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brazil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brazil.
He has participated in numerous solo and group exhibitions since the late 1960s, highlighting: Venice Biennale, Italia; Bienal de São Paulo, Brazil; Documenta, Kassel, Germany; Gwangju Biennale, Coreia do Sul; Cuenca Biennial, Equador; Havana Biennial, Cuba; Mercosul Biennial, Porto Alegre, Brazil; Calouste Gulbenkian Foundation, Lisbon; Pinacoteca de São Paulo, Brazil; Stedelijk Museum Schiedam, The Netherlands; Queens Museum of Art, New York, USA; MAR – Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brazil; Malba, Fundación Constantini, Buenos Aires, Argentina.

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