sala 2 | UM DIÁLOGO ENTRE


um diálogo entre Arlete Soares, Claudia Jaguaribe, Cristiano Mascaro, Edu Simões, Flavia Ribeiro, Flávio Damm, João Farkas, Mario Cravo Neto, Pierre Verger, Yamamoto Masao

galeria marcelo guarnieri | são paulo

abertura
08.08.2019 / 19h – 22h

período de exposição
08.08 – 06.09.2019


Alameda Lorena, 1835
São Paulo – Brasil
[ mapa ]


A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta a primeira exposição individual de Vincent Ciantar (1912-1989) na sua sede de São Paulo. É a primeira vez que as fotografias de Ciantar são expostas desde 1965, sendo algumas delas inéditas. As ampliações foram feitas pelo próprio fotógrafo, uma parte delas no Brasil na década de 1960, outra parte na década de 1950 no exterior. As imagens apresentadas na mostra foram feitas nas cidades de Londres, Cairo, Paris, Chipre e Rio de Janeiro.

Cidadão inglês nascido no Egito*, Vincent Ciantar foi um fotógrafo estabelecido no Brasil a partir da década de 1960. Trabalhou para revistas, empresas e indústrias e desenvolveu, em paralelo, um trabalho autoral que circulou pelo Egito, Brasil e Inglaterra enquanto esteve vivo. Contemporâneo de Cartier Bresson, Vincent Ciantar também encontrava no ambiente urbano situações para suas fotografias: eram comerciantes, casais apaixonados, pombos, transeuntes e crianças que tinham suas imagens capturadas em plena ação. Além das imagens de rua, Ciantar se utilizava da expertise da fotografia técnica adquirida em seus empregos formais para explorar, em seu trabalho autoral, o lirismo da fotografia em estúdio, compondo natureza-mortas com jarros e flores. Durante o período em que viveu no Egito, o fotógrafo não deixou de registrar a monumentalidade das pirâmides e esfinges, assim como a vastidão do deserto.

De 1929 a 1943, Vincent Ciantar trabalha no Banque Nationale d’Egypte, organizando e chefiando o setor de microfilmagem durante aqueles últimos 8 anos. Sua primeira atuação como fotógrafo profissional se dá em 1943 como fotógrafo de guerra na britânica Royal Air Force (RAF), obtendo duas condecorações pelos serviços prestados: a “África Star” e a “Reference Medal”. Em 1955 realiza sua primeira grande exposição na Galeria de Arte do Cairo, “Exposition des Oeuvres Photographiques de Vincent Ciantar”, sob o patrocínio do Banque Nationale d’Egypte. No mesmo ano, desenvolve trabalhos de reportagem para a empresa PHOTO – PRODUITS GEVAERT, sediada na Bélgica e com filial no Cairo. No ano seguinte, chefia o Departamento Fotográfico de “The Egyptian Economic & Political Review”. Em 1957, durante o processo de ruptura com a Grã-Bretanha, o governo militar do Egito expulsa os cidadãos britânicos de seu território, levando Ciantar a mudar-se para Londres. Lá trabalha com fotografia artística e industrial, tendo sua foto “The Wanderer” premiada no “Twenty-Ninth Exhibition – The London Salon of Photography”. A partir de 1959 se estabelece no Brasil, trabalhando inicialmente como repórter fotográfico na Bloch Editores e posteriormente como autônomo, entre os anos de 1960 e 1966. Neste período apresentou a exposição “With my Camera in London”, na Sociedade Cultura Inglesa. Entre 1967 e 1975, passou pelas empresas: Kelson’s; Hoffmann Bosworth; Tubulares Mills e Gilette do Brasil, realizando diversos trabalhos técnicos em fotografia. Entre 1974 e 1979, trabalhou para a Schering – Indústria Química e Farmacêutica, realizando trabalhos fotográficos para a revista Schering. Entre 1979 e 1983, realizou trabalhos fotográficos para Furnas – Centrais Elétricas.

Além da mostra de Vincent Ciantar, serão exibidas, em diálogo com a produção do fotógrafo, obras de outros artistas que compõem o acervo da galeria. Uma seleção de fotografias de Arlete Soares, Claudia Jaguaribe, Cristiano Mascaro, Edu Simões, Flavia Ribeiro, Flávio Damm, João Farkas, Mario Cravo Neto, Pierre Verger e Yamamoto Masao ocupará as duas primeiras salas, introduzindo o visitante ao trabalho de Ciantar, exposto na sala maior. Relações mais diretas podem ser encontradas entre as imagens de Flávio Damm e Vincent Ciantar, que viveram na mesma época e compartilharam do mesmo interesse pela fotorreportagem. Cristiano Mascaro, de uma geração posterior, também traz em suas imagens a influência de Cartier Bresson, embora situe a arquitetura como eixo central de sua pesquisa. Surpreende a semelhança entre aquelas fotografias que Ciantar fazia de flores, galhos e jarros nos anos 70 no Brasil e as que Yamamoto Masao vem fazendo desde o início dos anos 90 no Japão. Os diálogos propostos, concebidos a partir de perspectivas diversas, ampliam a leitura da obra deste fotógrafo pouco conhecido entre o público paulista.

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*Vincent Ciantar tinha a nacionalidade inglesa por ser filho de malteses, sendo Malta, na época, colônia britânica.

um diálogo entre Arlete Soares, Claudia Jaguaribe, Cristiano Mascaro, Edu Simões, Flavia Ribeiro, Flávio Damm, João Farkas, Mario Cravo Neto, Pierre Verger, Yamamoto Masao

galeria marcelo guarnieri | são paulo

opening
August 8, 2019 / 7 – 10pm

exhibition
August 8 – September 6, 2019


Alameda Lorena, 1835
São Paulo – Brasil
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