SIRON FRANCO. Em nome de Deus


SIRON FRANCO
Em nome de Deus

galeria marcelo guarnieri | são paulo

abertura
04.09.2018 / 18h – 21h

período de visitação
04.09 – 20.10.2018


Alameda Lorena, 1835
São Paulo – Brasil
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A Galeria Marcelo Guarnieri tem o prazer de apresentar “Em nome de Deus”, primeira exposição individual do artista Siron Franco na galeria. A exposição reúne 13 obras que evocam a questão das disputas religiosas e das simbologias elaboradas a partir delas. Siron Franco explora a representação do corpo humano em imagens estilhaçadas ou espectrais que nos dão acesso à relação paradoxal entre sacralidade e violência. A educação religiosa que teve quando criança permitiu a Franco ver de dentro e refletir sobre tais questões durante toda sua produção artística, mas a vandalização de algumas de suas obras públicas nos últimos anos o fizeram pensar sobre elas a partir de outra perspectiva.

Para esta exposição, o artista preparou um ensaio que é composto não só por pinturas, mas também por objetos, caso de “Esqueleto do Bezerro de Ouro” — o bezerro, um dos muitos bichos que já habitaram suas telas, agora aparece no espaço tridimensional. A obra faz referência ao mito do Bezerro de Ouro, ídolo confeccionado por Aarão a fim de suprir a ausência de seu irmão Moisés que havia subido o monte Sinai para receber os mandamentos de Deus. À pedido do povo, ansioso por uma liderança que os guiasse, Aarão produziu tal escultura com as jóias das mulheres, contrariando os princípios bíblicos que condenavam a idolatria. As jóias simbolizariam o ego, o pedido do povo foi interpretado como um “culto a si mesmo”. Na linguagem corrente, a expressão “bezerro de ouro” tornou-se sinônimo de um falso ídolo, ou de um falso “deus” por exemplo, simbolicamente, o dinheiro. Coberto por folhas de ouro, a representação do Bezerro na obra de Siron agora é dada por seu esqueleto e ainda que seja associado à morte ou infortúnio, ganha ares de sacralidade e beleza.

As relações ambíguas entre forma e conteúdo se estendem, alcançando também suas pinturas. A imagem do corpo humano é uma frequente, embora nunca revelado em sua totalidade. Fazendo uso de sobreposições de camadas de tinta, de formas e de pinceladas variadas, Franco nos permite acessar apenas fragmentos, corpos desmembrados ou sufocados, visíveis somente por frestas. Silhuetas, sombras e múmias compõem um universo que nos remete à culturas antigas, já o uso do spray e de certos grafismos nos trazem de volta ao tempo presente, remetendo às pichações. Do aglomerado de tinta de algumas telas, brotam rostos — ora perturbados, ora inexpressivos —, traços vigorosos que lembram arranhões ou cordas para amarrar. A representação do corpo vai além da figuração e pode ser observada também nos gestos que o próprio artista emprega em sua prática, evidentes na superfície pastosa da pintura. Nem tudo pode ser visto a olho nu ou nem mesmo nos é permitido ser visto: máximas do discurso sacro que na obra de Siron Franco adquirem um sentido filosófico.

O jogo de revelar e ocultar associado ao vocabulário utilizado por Siron Franco nos leva a refletir sobre a poderosa relação que a humanidade construiu com o sagrado e com a adoração, nem totalmente divina e nem totalmente infernal, complexa e enigmática.


Siron Franco nasceu em 1947 na cidade de Goiás Velho, no estado de Goiás. Atualmente vive e trabalha na cidade de Goiânia.

Sua produção é reconhecida desde a década de 1970, tendo participado ao longo de sua carreira de exposições em importantes museus nacionais e internacionais como MASP, MAM-RJ, MAM-SP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, The Bronx Museum of the Arts nos Estados Unidos e Nagoya City Art Museum no Japão. Participou da 2ª Bienal de Havana, de diversas edições do Panorama da Arte Brasileira do MAM-SP e da Bienal Internacional de São Paulo, sendo premiado na 13ª edição.

Seus trabalhos resultam de uma relação intensa com a matéria, facilmente observável nas generosas camadas de tinta a óleo que utiliza em suas pinturas, ou na diversidade de materiais brutos que escolhe para compor suas esculturas ou instalações, tal qual o concreto, aço, chumbo, mármore e resina. Essa intensidade ganha ares dramáticos nos corpos ou fragmentos de corpos que retrata com frequência, sejam corpos de bichos, de gente, de santos, mortos ou vivos. O ar soturno do universo que criou ao longo de seus cinquenta anos de atividade incorpora a sátira e o absurdo para abordar questões políticas e sociais, como a relação violenta e desequilibrada que o homem possui com a natureza e com a sua própria humanidade.

Suas obras integram coleções de museus nacionais e internacionais, como Metropolitan Museum of Art, Nova York, Estados Unidos; Essex Collection of Art from Latin America, Colchester, Grã Bretanha; Museu Salvador Allende, Santiago do Chile, Chile; Monterey Museum of Contemporary Art – MARCO, Monterrey, México; Museu Nacional de Belas Artes – MNBA, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte de São Paulo – MASP, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM/BA, Salvador, Brasil.

Este ano, Siron Franco participa da 33ª Bienal de São Paulo. No ano passado participou das exposições Siron Franco em 38 obras: 1974-2017, na Biblioteca Mário de Andrade, Attenzione Fragile, na Embaixada do Brasil em Roma e Caution Fragile, na Embaixada do Brasil em Londres.

SIRON FRANCO
Em nome de Deus

galeria marcelo guarnieri | são paulo

opening
September 4, 2018 / 6 – 9pm

exhibition
September 4 – October 20, 2018


Alameda Lorena, 1835
São Paulo – Brasil
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Galeria Marcelo Guarnieri is pleased to present the show “Em Nome de Deus” (In the name of God), the first solo exhibition of Siron Franco in the gallery. The show brings together 13 works that evoke the issue of religious disputes and the symbologies elaborated from such works. Siron Franco explores the representation of the human body in shattered or spectral images that give us access to the paradoxical relationship between sacredness and violence. The religious education Franco had as a child allowed him to see from within and reflect on such issues throughout his entire artistic production, but the vandalization of some of his public works in recent years made him think about them from another perspective.

For this exhibition, the artist prepared an essay that is composed not only of paintings, but also of objects, which is the case of “Skeleton of the Golden Calf” – the calf, one of the many animals that have already inhabited Siron’s canvases, now appears in in three-dimensional space . The work refers to the myth of the Golden Calf, an idol made by Aaron to fill the absence of his brother Moses who had gone up to the Mount Sinai to receive the commandments of God. At the request of the people, anxious for a leadership to guide them, Aaron produced such a sculpture with the jewels of the women of the community, contradicting the biblical principles that condemned idolatry. The jewels would symbolize the ego, the request of the people was interpreted as a “cult of oneself.” In everyday language, the expression “golden calf” has become synonymous of a false idol, or a false “god” for example, symbolically, the money. Covered with gold leaves, the representation of the Calf in Siron’s work is now given by its skeleton and although it is associated with death or misfortune, it gains an air of sacredness and beauty.

The ambiguous relations between form and content go further, reaching also the paintings. The image of the human body is a constant, though never revealed in its entirety. Making use of overlaps of layers of paint, of varied shapes and strokes, Siron allows us to access only fragments, dismembered or suffocated bodies, visible only by cracks. Silhouettes, shadows and mummies make up an universe that sends us back to ancient cultures, and the use of spray and certain graphics bring us back to the present time, making reference to the graffiti. From the lump of paint on some canvases, faces – sometimes disturbed, sometimes inexpressive – emerge, vigorous features resembling scratches or ropes to tie. The representation of the body goes beyond the figuration and can be observed also in the gestures that the artist himself uses in his practice, evident in the pasty surface of the painting. Not everything can be seen with the naked eye or even allowed to be seen: maxims of the sacred speech that in the work of Siron Franco acquire a philosophical sense.

The game of revealing and hiding associated with the vocabulary used by Siron Franco leads us to reflect on the powerful relationship that humanity built with the sacred and with adoration, neither totally divine nor totally infernal, complex and enigmatic.


Siron Franco was born in 1947 in the city of Goiás Velho, in the state of Goiás. He currently lives and works in the city of Goiânia.

His production has been recognized since the 1970s and, throughout his career, he has participated in exhibitions at important national and international museums such as MASP, MAM-RJ, MAM-SP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, The Bronx Museum of the Arts United States and Nagoya City Art Museum in Japan. He participated in the 2nd Havana Biennial, several editions of the Panorama da Arte Brasileira do MAM-SP and the Bienal Internacional de São Paulo, having been awarded in its 13th edition.

Siron’s works are the result of an intense relationship with matter, easily observable in the generous layers of oil paint he uses in his paintings, or in the diversity of raw materials he chooses to compose his sculptures or installations, such as concrete, steel, lead, marble and resin. This intensity gains dramatic airs in the bodies or fragments of bodies he often portrays, whether they are bodies of animals, of people, of saints, dead or alive. The gloomy atmosphere that he has created over his fifty years of activity incorporates satire and absurdity to address political and social issues such as the violent and unbalanced relationship that man has with nature and with his own humanity.

Siron’s works integrate collections of national and international museums, such as Metropolitan Museum of Art, New York, United States; Essex Collection of Art from Latin America, Colchester, Great Britain; Salvador Allende Museum, Santiago, Chile, Chile; Monterey Museum of Contemporary Art – MARCO, Monterrey, Mexico; Museu Nacional de Belas Artes – MNBA, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte de São Paulo – MASP, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM/BA, Salvador, Brasil.

This year, Siron Franco participates in the 33rd Bienal de São Paulo. Last year he participated in the exhibitions Siron Franco in 38 works: 1974-2017, at the Biblioteca Mário de Andrade, Attenzione Fragile, at the Brazilian Embassy in Rome and Caution Fragile, at the Brazilian Embassy in London.

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