Pierre Verger, Gabriela Machado, Pedro Hurpia

(detalhe) Pierre Verger.  Pesca Itapuã, Salvador, Brasil. Cortesia ©Fundação Pierre Verger

Uma leitura sobre o nosso acervo a partir de obras históricas de artistas representados pela galeria. Neste segundo bloco, partimos das fotografias produzidas por Pierre Verger para a exposição "Pierre Verger / Le messager”, ocorrida no Musée de l’Elysée, Lausanne, Suíça (1993) e no Musée national des Arts d’Afrique et d’Océanie, Paris, França (1994), para apresentar "hidden and missing things" (2020), projeto de Pedro Hurpia financiado pela Fundação Kone para a Residência Saari localizada em Mynämäki, no sudoeste da Finlândia e "Swell 3", "Minha carne é de carnaval" e "Alaúde", pinturas produzidas por Gabriela Machado entre 2013 e 2018.

 

***

 

Um dos efeitos causados pela atual pandemia foi a redução do ruído sísmico proveniente da atividade humana. Essa redução permitiu às estações sismográficas detectar vibrações muito sutis, trazendo dados mais apurados sobre as atividades sísmica e vulcânica. A possibilidade de escutar melhor a Terra em um movimento análogo ao de um aguçamento dos sentidos, baseou-se na regulação dos nossos deslocamentos físicos e trouxe como consequência uma orientação da nossa autopercepção ao espaço virtual. Embora haja uma associação entre a internet e a imaterialidade, a transmissão de dados é realizada através de uma tecnologia baseada em cabos de fibra óptica que, ao conectar continentes, percorrem uma rede submarina estabelecida na década de 1850, quando instalada a rede de comunicações por telégrafo.

 

Nesta seleção, vemos trabalhos que são provenientes de um desejo pelo contato, por uma aproximação daquilo que parece exterior aos artistas, tanto fisicamente, quanto culturalmente. Populações que viviam sob formas de vida distintas daquela da Paris dos anos 30/40, a busca por algo invisível ou perdido, material ou imaterial, o som do mar e a matemática da percussão. A água surge como um elemento importante, servindo também como um meio por onde se propagam vibrações sutis. Tais vibrações podem ser detectadas e registradas através de instrumentos mágicos como uma Rolleiflex, um galho bifurcado ou um par de mãos e pincéis.

Cortesia ©Fundação Pierre Verger

Cortesia ©Fundação Pierre Verger

Cortesia ©Fundação Pierre Verger

Pierre Verger

 

Pesca Itapuã, Salvador, Brasil, 1946-1947

gelatina e prata

28 x 26 cm

 

id 2137

Pierre Verger

 

Moorea, Polynésie Française, 1933

gelatina e prata

26,5 x 26,5 cm

 

id 2763

Pierre Verger

 

Tuamotu, Polynésie Française, 1933

gelatina e prata

27,5 x 26,5 cm

 

id 2768

Pierre Verger

Trecho do filme "Barravento", 1962

Direção de Glauber Rocha

Pierre Verger foi um mensageiro entre mundos. Enquanto fotógrafo, reportou em jornais e revistas imagens de grupos humanos em situações habituais e extremas, em contextos diversos pelos cinco continentes. Como etnólogo, investigou as relações históricas entre África e Bahia, contribuindo para o fortalecimento dessa comunicação intercontinental a partir de uma extensa pesquisa de campo sobre o fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o Golfo do Benin e a Baía de Todos os Santos que ocorreu entre os séculos XVII e XIX. Como Fatumbi, iniciado no Ifá  – sistema de adivinhações dos iorubás –, estabeleceu conexões entre os planos terrestre e espiritual.

 

Na obra de Verger, o mar aparece como ponte que conecta territórios, fonte de alimento e riquezas, como morada do orixá Iemanjá e também como uma divindade no culto aos Voduns. Em "Pesca, Itapuã, Salvador, Brasil" (1946-1947) é possível imaginar a vibração entre os corpos dos pescadores através daquele instante congelado de seus movimentos que se supõem combinados para a realização da puxada de rede. A puxada de rede, atividade inicialmente desenvolvida pelos negros recém-libertos que tinham a pesca do xaréu como fonte de renda e subsistência, é ainda hoje comum em algumas colônias de pescadores. Para a sua realização, é necessária a força de um grande número de homens que em conjunto e sincronia, puxam a rede e cantam ao som de um tambor que marca o compasso do labor.

Nos arquipélagos da Polinésia Francesa, Verger retratou outro tipo de pesca que integrava uma cultura ancestral: a pesca com arpão. Sobre esta que foi uma de suas primeiras viagens, Verger comentou:

"[Viajei por] cerca de quinze meses, o tempo para percorrer as ilhas: Papeete, Moorea, Raiatea, Rouroutou, Rapa-iti. Isso foi para contribuir, como eu disse antes, para me aproximar do antropólogo Alfred Métraux, que conheci mais tarde e que havia participado de uma expedição científica a Rapa-nui.

 

Quando voltei para Paris, propus tentar publicar um álbum de fotografias, usando as que eu havia tirado durante minha viagem. Para esse fim, fui ver Marc Chadourne, autor de um livro, Vasco, no Taiti, para pedir que ele escrevesse um texto para este álbum.

 

Ele concordou, mas saiu três dias depois para viajar pelo mundo por seis meses, a pedido do jornal Paris-soir. Na porta ao sair, ele sugeriu que eu propusesse que o jornal me enviasse como fotógrafo para ilustrar artigos que ele e seu colega jornalista deveriam enviar durante a viagem.

 

Isso ocorreu em 1934, alguns dias após a tentativa do coronel de la Roque de invadir a Câmara dos Deputados.

A administração de Paris Soir acreditava que haveria uma revolução na França. Portanto, ela queria ficar com os fotógrafos, era uma chance para mim, porque eles não hesitaram em me enviar, embora iniciante, para dar a volta ao mundo."

 

Cortesia ©Fundação Pierre Verger

Cortesia ©Fundação Pierre Verger

Pierre Verger

 

Quang Ngai, Viêt Nam, 1938

gelatina e prata

26,5 x 28 cm

 

id 3075

Pierre Verger

 

Types, Holi, Bénin, déc 1950

gelatina e prata

26,5 x 26,5 cm

 

id 2697

A Revue Noire foi uma das primeiras revistas a destacar a arte contemporânea africana no mercado ocidental e a exposição, apresentada na Suíça e na França, teve um importante papel para o retorno de Pierre Verger ao cenário da fotografia de seu país de origem. As imagens foram feitas entre os anos de 1930 e 1960 e apresentam cenas de rua, de trabalho, de festa e de descanso em diversos países como Peru, Bolívia, Vietnã, Estados Unidos, Japão, Cuba, Brasil e Nigéria. As fotografias foram assinadas por Verger a pedido dos editores da Revue Noire e ampliadas por Ricardo Moreno a partir do negativo original, em 1992, França. Verger normalmente não assinava as fotografias, mas deixou esse lote assinado a pedido dos editores.

***

(detalhe) Gabriela Machado. Boipeba, 2017 - acrílica sobre tela - 14 x 18 cm

Gabriela Machado

De seu ateliê no bairro do Jardim Botânico no Rio de Janeiro, Gabriela Machado pode escutar as conversas entre os macacos e o canto dos passarinhos. Dali absorve o verde da floresta que a rodeia e os contornos das flores que cumprem o seu ciclo de brotar e murchar. A praia não fica muito longe dali. O barulho das ondas, do vendedor de mate e o ritmo do samba, a luz prateada da lua cheia e o dourado do sol em despedida são elementos que também são traduzidos em suas pinturas e esculturas.

 

Um SWELL é caracterizado por um trem de ondas marítimas harmônicas geradas em alto mar como consequência de tempestades. Diferente das ondas produzidas por ventos em regiões próximas da costa, possuem períodos grandes e vibram praticamente em uma única frequência.

Gabriela Machado

 

Swell 3, 2018

óleo sobre linho

230 x 230 cm

 

id 2904

>>>

"Comecei a aprender a tocar um instrumento e escolhi o pandeiro por trazer o corpo junto – minha pintura tem isso: para pintar, tenho que estar muito equilibrada corporal e emocionalmente, e a música é totalmente corpo. Então, fui aprender a tocar um instrumento de percussão para entender essa matemática – pois é uma matemática  – e para entender essa inteligência de ter o corpo, a mente e o intelecto todo naquele momento."

 

Gabriela Machado

 

Visão geral da exposição de Gabriela Machado, Auroras, São Paulo, 2017 - foto: Ding Musa

Gabriela Machado

 

Minha carne é de carnaval, 2017

óleo sobre linho

30 x 40 cm

 

id 1996

"Essa relação estreita entre música e pintura se torna óbvia quando evocamos uma palavra em comum para ambas: ritmo. O ritmo da música e o ritmo da pintura são elementos fundamentais em qualquer composição. Ambos nos trazem à mente jogos temporais e espaciais em que a dinâmica ou a cor regem contrastes entre cheios e vazios, entre lento e veloz, entre claro e escuro, entre dobras e recuos. Músicas e pinturas são arranjos cuidadosos de ocupação de espaços – sonoros e pictóricos.

 

Na pintura abstrata de Gabriela, uma das primeiras apropriações que podemos fazer diz respeito ao seu ritmo de cores e à sutil observação do caminho que elas seguem, esparramadas nas grandes telas brancas e nas aquarelas. As cores ditam o ritmo do olhar como partituras dessa música silenciosa e, contraditoriamente, explosiva."

 

Frederico Coelho

Historiador, ensaísta, pesquisador e professor da PUC-Rio

Gabriela Machado

 

Alaúde, 2013

óleo sobre tela

190 x 150 cm

 

id 1597

***

Pedro Hurpia. Residência SAARI - Mynämäki, 2020 - quadro negro com anotações e documentação

Pedro Hurpia

"A ideia principal deste projeto na Residência Saari foi a manipulação de um instrumento científico arcaico com o objetivo de ativar as relações entre o ambiente local, crenças e o ser humano que o manipula. Utilizando estratégias artísticas de criação, organizei documentos reais e fictícios, tentando criar lógicas narrativas e visuais que flertam com os campos da geofísica e dos métodos divinatórios. Os instrumentos foram hastes de radiestesia de madeira em formato de 'v' e 'y' em tamanhos variados, encontrados nos arredores da residência."

 

Pedro Hurpia. SAARI - Mynämäki | 2020

 

Pedro Hurpia. Y-Rod, 2019

 

"A prática de 'dowsing' é um processo inexplicável no qual as pessoas usam um galho bifurcado para encontrar objetos perdidos e ocultos. Também conhecida como 'divining' e 'doodlebugging', é frequentemente usada para procurar água ou jóias ausentes, mas também é frequentemente usada em outras aplicações, como caça fantasmas, círculos nas plantações e adivinhação."

"Com base nessa definição, me interessei na particularidade de um objeto de funcionamento 'inexplicável' que oscila entre a crença popular e a ciência. A ideia de uma ferramenta vidente ou de um dispositivo que possa encontrar - com certa precisão - coisas perdidas e ocultas, me trouxe narrativas poéticas e um material rico, os quais foram desenvolvidos no período da Residência.  Meu objetivo foi criar situações de 'busca' e 'persistência' com o uso desse objeto, tendo a ciência e a crença popular como impulsionadoras dessas ações. A busca pessoal por algo invisível ou perdido, material ou imaterial."

Pedro Hurpia. Dowser's belt, 2020 - couro, metal e hastes de madeira

"No cinto do 'dowser' haviam cinco varinhas de salgueiro bifurcadas de tamanhos variados, usadas em solos diferentes. À noite, costumavam embeber os galhos de salgueiro na água, na qual havia urina de gado e algumas amostras de todas as nascentes da região - para endurecer a madeira. Dessa maneira, suas varinhas estavam mergulhadas em um conhecimento íntimo da água nos vales e nas montanhas."

Pedro Hurpia

 

hidden and missing things, 2020

vídeo

16:9 | 15'39" | estéreo | cor

audio em finlândes | legenda em português

 

 

Em colaboração com a coreógrafa Heli Keskikallio

 

*recomendável o uso de fone de ouvido

 

id 4906

Projeto selecionado com financiamento da Fundação Kone para a Residência Saari localizada em Mynämäki no sudoeste da Finlândia. A Fundação Kone é uma organização independente e não afiliada que viabiliza concessões para promover pesquisa acadêmica, cultura e arte.

"A sequência de acontecimentos do vídeo 'hidden and missing things' segue duas linhas de argumentação. A primeira linha trata da prática do 'dowsing'. Há referências de fontes diversas, que mostram a ação em si: modos de utilização por desenhos, esquemas e vídeos. Assim como métodos descritos em textos e artigos sobre o tema. Nesta linha, as fontes são, em sua maioria, desprovidas de qualquer explicação científica. Ficando restritas a imagens dúbias e relatos imprecisos.

 

Por outro lado, a segunda linha de argumentação lida com um evento geológico comprovado cientificamente. Um fenômeno que está em curso há cerca de dez mil anos que consiste na pressão decorrente do peso enorme das geleiras da escandinávia, chamada Elevação Pós-Glacial. Em consequência deste processo, a placa terrestre desta região específica (Golfo de Bótnia) está subindo mais do que o nível do mar, que por sua vez, também aumenta em todo Mundo devido ao aquecimento global.

 

Tecnicamente, a costa da Finlândia está se elevando mais que o nível do mar. Isso é um fato visível, inclusive na baía que está situada a Residência Saari. Região esta que, curiosamente, significa 'Ilha'. Porém, 'Saari' não é mais uma ilha há séculos, fazendo parte do continente e trazendo consigo novas “ilhas” que surgem lentamente na costa da baía, quando outrora havia apenas o mar."

Pedro Hurpia

 

***

Pierre Verger 1902 - Paris, França 1996 - Salvador, Bahia

Além de fotógrafo, Pierre Verger era também etnólogo, antropólogo e pesquisador. Durante grande parte de sua vida, esteve profundamente envolvido com as culturas afro-brasileiras e diaspóricas, direcionando uma especial atenção aos aspectos religiosos, como os cultos aos Orixás e aos Voduns. Antes de chegar à Bahia, no Brasil, em 1946, Verger trabalhou por quase quatorze anos viajando pelo mundo como fotógrafo, negociando suas imagens com jornais, agências e centros de pesquisa, e em Paris, mantinha ligações com os surrealistas e antropólogos do Museu do Trocadéro. Nos quatro anos que antecederam sua chegada, passou pela Argentina e pelo Peru, trabalhando por um tempo no Museo Nacional de Lima. Ao chegar no Brasil, colaborou com a revista O Cruzeiro e em Salvador, onde foi viver, pôde registrar, de uma maneira muito particular, o cotidiano de uma cidade essencialmente marcada pela cultura da África Ocidental. Seu fascínio por aquilo ou por aqueles que fotografava ia além da imagem, havia um interesse pelo contexto, suas histórias e tradições, algo que pode ser notado não só em seu trabalho com a fotografia, mas também com a pesquisa. Pierre Verger integra-se de tal maneira à Bahia e sua cultura que em 1951 passa a exercer a função de ogã no terreiro Opô Afonjá de Salvador e no Benin, África, torna-se babalaô.

 

Coleções públicas que possuem seus trabalhos incluem: Pirelli/MASP, Brasil; MAM - Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil; Museu Afro Brasil, São Paulo, Brasil; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil; MAB - Museu de Arte Brasileira, FAAP, São Paulo, Brasil; Fundação Pierre Verger, Salvador, Brasil e entre outras.

 

***

Gabriela Machado 1960 – Santa Catarina, Brasil Vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil

Buscando nas formas da natureza e nos arranjos dos objetos que a rodeiam um ponto de partida para suas pinturas, desenhos e esculturas, Gabriela Machado escolhe a cor como porta-voz de seus trabalhos. Por vezes em telas de grandes dimensões que exigem do corpo o movimento de projetar-se numa espécie de vôo cego, ou até mesmo em telas pequeninas que nos remontam à relação intimista que possuímos com nossos cacarecos, o trabalho de Machado  nos aproxima, por meio de pinceladas intensas e cores vivas, da experiência estética dos elementos de seu cotidiano; sejam eles as grandiosas montanhas do Rio de Janeiro ou os singelos cachos de bananas pendurados nas barracas da feira. A tinta, matéria de seus trabalhos bidimensionais, surge, em sua grande maioria, diluída em água ou entre as distintas cores que escolhe a artista, nunca perdendo, no entanto, a capacidade de vibrar. O caráter gestual de sua pintura migra para os trabalhos tridimensionais que ganham corpos de porcelana, gesso ou bronze e que parecem alçar a condição de objetos-vivos quando elevados em altíssimos pedestais ou quando assumem grandes volumes desengonçados. Assim como suas pinturas, desenhos e como a própria natureza, esses objetos nos apontam para a beleza da matéria não-domesticada.

 

Participou de inúmeras exposições individuais e coletivas, destacando-se: MAM - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo, Brasil; Carpe Diem – Arte e Pesquisa, Palácio das Artes, Lisboa, Portugal; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil; MUBE – Museu Brasileiro de Escultura, São Paulo, Brasil; Auroras, São Paulo, Brasil; Museu do Açude, Rio de Janeiro, Brasil; Paço Imperial. Rio de Janeiro, Brasil; Caixa Cultural, São Paulo e Rio de Janeiro, Brasil; Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo, Brasil; Oi Futuro Flamengo, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil; Centro de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, Brasil.

 

***

Pedro Hurpia 1976 – Brasília, Brasil Vive e trabalha em São Paulo, Brasil

A palavra “movimento” parece dar conta de vários aspectos do trabalho de Pedro Hurpia. Sempre em trânsito, o artista produz fotografias, objetos, pinturas e desenhos como forma de compreender e registrar a sua experiência com o desconhecido; e com as paisagens grandiosas e inabitadas que se propõe a enfrentar em seu processo de pesquisa. Preocupado em preservar, nas imagens que nos apresenta, o espanto da beleza da imponência dos picos nevados ou da imensidão das montanhas arborizadas, Hurpia não cai na armadilha de se deixar levar e deixar que o público seja levado pela sedução das suas fotografias-quase-pinturas. A experiência do corpo imerso em um ambiente onde a natureza parece engoli-lo, acaba por despertar no artista uma inteligência que é própria da dinâmica do lugar: seu deslocamento pelo espaço ganha a mesma importância, em sua obra, que os deslocamentos da terra, sejam montanhas, vulcões ou icebergs. Mais do que assunto, esse deslocamento vira um modo de operar, quando, por exemplo, uma pintura migra para a fotografia e um desenho migra para a escultura, ou quando a ação do deslizamento de terra ou do derretimento de icebergs se traduz no funcionamento de um objeto.

 

Participou das residências: Saari Residence, Mynämäki, Finlândia; Pivô - Arte e Pesquisa, São Paulo, Brasil; HANGAR - Centro de Investigações Artísticas, Lisboa, Portugal; A-i-R Sandnes, Rogaland, Noruega; Nidos Meno Kolonija. A-i-R programme, Nida, Lituânia; SÌM - Samband Íslenskra Myndlistarmanna, Reykjavík, Islândia; LabMIS – Museu da Imagem e Som, Residência em Fotografia 2013/2014, São Paulo, Brasil.

***

Informações e consultas de valores:

contato@galeriamarceloguarnieri.com.br

 

São Paulo

Alameda Lorena, 1835

01424 002

galeriamarceloguarnieri@gmail.com

 

***

 

Ribeirão Preto

Rua Nélio Guimarães, 1290

14025 290

contato@galeriamarceloguarnieri.com.br

Sala de visita II: Ao redor da onda

Tecnicamente, a costa da Finlândia está se elevando mais que o nível do mar. Isso é um fato visível, inclusive na baía que está situada a Residência Saari. Região esta que, curiosamente, significa 'Ilha'. Porém, 'Saari' não é mais uma ilha há séculos, fazendo parte do continente e trazendo consigo novas “ilhas” que surgem lentamente na costa da baía, quando outrora havia apenas o mar."

Pedro Hurpia

 

Pierre Verger 1902 - Paris, França 1996 - Salvador, Bahia Gabriela Machado 1960 – Santa Catarina, Brasil Vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil Pedro Hurpia 1976 – Brasília, Brasil Vive e trabalha em São Paulo, Brasil