sala 1 | LUIZ PAULO BARAVELLI


Luiz Paulo Baravelli

galeria marcelo guarnieri | são paulo

abertura
06.06.2019 / 19h – 22h

período de visitação
06.06 – 03.08.2019


Alameda Lorena, 1835
São Paulo – Brasil
[ mapa ]


Auto entrevista
(à maneira de Ad Reinhardt)

– Nesta exposição você está apresentando trabalhos com mais de cinqüenta anos de diferença entre as datas de execução?
– Sim.
– Na sala maior estão objetos tridimensionais das décadas de 60 e 70 e seus estudos e na sala menor, pinturas e desenhos de todas as épocas.
-Sim.
– Em um texto auto reflexivo de 1974, você escreveu que estava interessado em “deixar portas abertas e pontas soltas para depois e também retomar pontas soltas que deixei antes”. Muitos destes objetos foram projetados no fim dos anos 60 e começo dos anos 70; alguns feitos na época e outros que você vem executando ao longo do tempo?
– Sim.
– Isto porque na época não houve tempo, dinheiro ou técnica para executá-los?
– Sim.
– Também neste texto de 74 você disse que continuava interessado na paisagem,” um pouco, não menos que antes, mas agora há mais coisas”.
Essas coisas eram o rosto, a figura humana e cenas com gente?
– Sim.
– É difícil desenhar ou pintar pessoas?
– Sim, muito.
– Sua opção preferencial pela pintura veio lá por 1973, embora a produção de objetos tenha prosseguido esporadicamente e em escala muito menor desde então?
– Sim
– Pode-se dizer que os objetos na sala maior são pictóricos e não escultóricos?
– Sim.
– Então podemos dizer que eles são como pesquisa, estudo e quase maquetes dos ambientes, cenários e invólucros que viriam depois, nas pinturas com cenas e pessoas?
– Sim.
– Parece então que não é muito possível se fazer esculturas de paisagens.
Concorda?
– Sim.
– Porque o espectador circunda a escultura e a paisagem circunda o espectador?
– Sim.
– E na pintura pode haver a representação do espaço infinito, impossível na escultura?
– Sim.
– A tradição do quadro figurativo é que ele seja uma janela para uma cena. Estaria certo dizer que o recorte pintado não é uma janela e também não é um objeto, mas a criação de uma presença?
– Sim.
– E quando você começa a fazer as pinturas recortadas, lá por 1980, elas são uma espécie de memória dessa qualidade “circundável” dos objetos aqui na exposição?
– Sim.
– Uma referência à finitude?
– Sim.
– Como parece que tempo e espaço são as duas faces de uma mesma moeda, a finitude espacial remete à finitude temporal?
– Sim.
– E o recorte seria uma discussão dessa finitude em relação à “infinitude” que a pintura em quadros retangulares sugere?
– Sim
– Você também disse uma vez que “fora de um quadro não há ‘nada’ e que ele é o limite do universo conhecido”.
– Sim.
– Então superar este estágio dos objetos e partir para a pintura, primeiro em quadros retangulares e depois com os recortes foi para você uma ampliação de sua pretensão como artista?
– Sim.
– Por definição o horizonte está sempre no infinito?
– Sim.
– A pintura é sempre a criação de uma ilusão?
– Sim.
– Inclusive ilusão de concretude?
– Sim.
– E a escultura é um objeto físico que só serve para criar uma ilusão visual?
– Sim.
– Vamos fazer uma pausa?
– Sim.

***

– Neste catálogo você incluiu um folheto que é o fac-símile de um caderno de estudo do começo dos anos 70. Ele é uma espécie de recapitulação, com alguns comentários, de alguns trabalhos tridimensionais que você fez ou projetou até então. Ele parece inacabado, concorda?
– Sim.
– Isto faz parte daquela idéia de “deixar pontas soltas para depois”?
– Sim.
– Você gosta daquela frase da Gertude Stein que diz “Quando uma coisa começa, começou e então é assim mesmo” ?
– Sim.
– Outra pausa, por favor.
– Sim.

***

– Você escreveu uma vez que “a arte começa quando as palavras terminam” ?
– Sim.
– Quer dizer mais alguma coisa?
– Não.

L.P.B.
Maio 2019

Luiz Paulo Baravelli

galeria marcelo guarnieri | são paulo

opening
June 6, 2019 / 7 – 10pm

exhibition
June 6 – August 3, 2019


Alameda Lorena, 1835
São Paulo – Brasil
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