ELEONORE KOCH / ALFREDO VOLPI


ELEONORE KOCH / ALFREDO VOLPI


galeria marcelo guarnieri | são paulo

abertura
07.03.2020 / 10h – 17h

período de visitação
07.03 – 09.04.2020


Alameda Lorena, 1835
São Paulo – Brasil
[ mapa ]


A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, de 7 de março a 9 de abril de 2020, em sua sede de São Paulo, a primeira exposição do ano, que reúne obras de Eleonore Koch e Alfredo Volpi. Pinturas produzidas por Volpi nas décadas de 1950 e 1970 dividem o espaço das duas salas da galeria com pinturas que Eleonore Koch produziu nas mesmas épocas. Além destas, um dos cadernos de desenho da artista elaborado entre as décadas de 1950 e 1980 e um farto conjunto de estudos em gravura, pintura e desenho produzidos por ela entre as décadas de 1970 e 1990 também integram a mostra. O diálogo entre Volpi e Eleonore Koch nesta exposição ressoa a importante relação de trocas que tiveram ao longo dos anos – inicialmente como professor e aluna e depois como amigos e parceiros de profissão – dando continuidade ao programa iniciado pela galeria em 2019, que apresenta de maneira simultânea obras de artistas que possuíram um diálogo durante a sua trajetória ou que podem ser lidas a partir de aproximações conceituais e poéticas.

Naturezas-mortas, jardins ingleses, ambientes domésticos, marinhas e desertos. Ao longo de sua produção, Eleonore Koch (Berlim – Alemanha, 1926) explorou, através destes temas, o manejo de cores e formas que materiais como a têmpera, o pastel, o óleo, o grafite e o carvão lhe permitiam. Os campos de cores que preenchem os elementos de suas composições evidenciam sua estrutura através das pinceladas ou dos traços em paralelo que os compõem, transparência de um fazer que se traduz também no uso da perspectiva – quando a representação de alguns objetos mostra-se fiel a um ponto de fuga ao mesmo tempo em que a de outros ignora-o completamente, reduzindo-os a formas geométricas planificadas. Koch permite aos seus jarros de flores que flutuem no espaço e que o chão e o teto se distingam apenas pela cor. Seus estudos em grafite nos mostram que sua preocupação não centrava-se somente na cor, mas também no arranjo das geometrias – das linhas e superfícies – e no balanceamento de tons que o lápis lhe permitia explorar através das intensidades do traçado.

Frequentemente mencionada como discípula de Volpi, Eleonore Koch possuiu uma formação bastante diversa, através de professores artistas como Yolanda Mohalyi, Samson Flexor, Bruno Giorgi, Elisabeth Nobiling e Arpad Szenes e também de suas temporadas de estudo e trabalho fora do Brasil, em Paris entre 1949 e 1951 e em Londres entre 1968 e 1989. A maioria dos estudos e pinturas que integram a exposição foram produzidas justamente durante os vinte anos que viveu na Inglaterra, onde admitiu ter sofrido grande influência da pop art britânica, através do trabalho de artistas como David Hockney. Estão reunidos na mostra alguns conjuntos de estudos que permitem ao público observar o desenvolvimento de uma pintura ou de um pastel a partir de pequenas variações dos elementos que as compõem – como a composição de uma mesa e cadeira que em uma das versões se apresenta somente em traços esquemáticos e em outra já se soma outra cadeira à frente de um fundo negro em carvão, variando em mais três versões. O trabalho com texturas, presente no emprego da têmpera e do carvão, se completa no uso da colagem de papel cartão e papel jornal que dão forma e cor aos vasos, árvores, pétalas e até mesmo aos degraus das escadas dos seus jardins. Recortes do que parecem ser listas telefônicas dos residentes da cidade de Londres dão profundidade e ritmo às frondosas copas das árvores através dos grafismos dos números e das letras que os compõem.

Pertencente a uma geração anterior de imigrantes europeus que fixaram residência no Brasil, Alfredo Volpi (Lucca – Itália, 1896) estabelece-se em São Paulo ainda mais jovem que Eleonore, com apenas um ano de idade. O encontro com Koch se daria dali a 56 anos, em 1953, em seu ateliê no bairro do Cambuci, por intermediação do colecionador, crítico e psicanalista Theon Spanudis. Naquele mesmo ano, Volpi receberia o prêmio de Melhor Pintor Nacional conferido pela Bienal de São Paulo, onde havia apresentado suas “Casas”, representações de fachadas de casas populares sintetizadas em formas geométricas. A década de 1950 marcava um momento de maturação da pesquisa de Volpi sobre a simplificação formal de suas composições. Já distanciada de um certo figurativismo que havia guiado sua produção até então, empenhava-se na construção de um vocabulário de formas elementares que surgiam das portas, janelas, arcos e bandeirinhas que faziam parte de seu cotidiano e que lhe serviram para explorar as possibilidades da técnica e da composição.

Volpi inicia seu contato com a pintura em 1911, trabalhando como pintor decorativo de paredes, ofício que mantém até pelo menos a década de 1940. Sua expertise artesanal também lhe deu suporte quando trocou a tinta a óleo pela têmpera, indo na contramão do imaginário industrial da década de 1950. Foi com Volpi que Eleonore Koch aprendeu as técnicas de uso e preparo da têmpera e de pigmentos feitos a partir de terras naturais, e foi também a partir dali que passou a adotá-las frequentemente em suas pinturas, definindo seu estilo. Os debates figuração vs. abstração, formalismo vs. informalismo eram bastante intensos naqueles anos que Koch passou com Volpi em seu ateliê, entre os anos de 1953 e 1956.

Em 1953 o MAM/RJ organiza em Petrópolis a 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata, reunindo diversas tendências do abstracionismo no Brasil, do lírico ao geométrico, e em 1956 o grupo Ruptura organiza a I exposição Nacional de Arte Concreta no MAM/SP, que já explicitava divergências dentro do próprio movimento concreto. Apesar de ter sido um dos participantes desta última mostra – que também ocorreu no Rio de Janeiro no ano seguinte –, Volpi preferia abdicar da associação a grupos ou movimentos, optando pela liberdade de poder incorporar em suas obras elementos plásticos de variadas ordens. Tal posicionamento pode ser explicitado não somente pelos afrescos que produziu na capela de Nossa Senhora de Fátima em Brasília, mas também pela pintura da década de 1950 apresentada nesta exposição, na qual figura um anjo humanóide sobre um fundo de losangos verdes e azuis. Essa fluidez entre a figuração e a abstração ou entre o formal e o informal também pode ser encontrada nas pinturas da década de 1970, como “Fitas e Mastros”, por exemplo. Neste caso, a obra transita entre uns e outros através de uma composição ritmada formada pelo intercalamento de cores em uma malha geométrica irregular.


agradecimento
mobiliário: Passado Composto (Alameda Lorena, 1996 – Jardim Paulista, São Paulo – SP, telefone 3088-9128).

ELEONORE KOCH / ALFREDO VOLPI


galeria marcelo guarnieri | são paulo

opening
March 7, 2020 / 10am – 5pm

exhibition
March 7 – April 9, 2020


Alameda Lorena, 1835
São Paulo – Brasil
[ map ]


Galeria Marcelo Guarnieri presents its first exhibition of the year, which will bring together works of Eleonore Koch and Alfredo Volpi. The show will take place in its headquarter in São Paulo, from March 7th to April 9th, 2020. Volpi’s paintings produced in the 50’s and 70’s share the two rooms gallery space with Eleonore Koch paintings, which were also produced at the same period. In addition to that, there are also integrated to the exhibition one of Koch’s sketchbooks elaborated between the 50’s and 80’s, and a great set of studies in engraving, painting and drawing produced by her between the 70’s and the 90’s. The dialogue between Volpi and Eleonore Koch works in this exhibition expresses an important exchange relationship that they had over the years – first as teacher and student, and later as friends and professional partners. This exhibition is part of the gallery’s program, started last year, that intends to simultaneously present works of artists who established a dialogue during their professional journey or can be interpreted from a conceptual and poetic approaches.


Still lifes, English gardens, home environments, seascapes and deserts. Throughout her production, Eleonore Koch (Berlin – Germany, 1926) explored through these themes the handling of color and shape that materials such as tempera, pastel, oil, graphite and charcoal allowed. The color fields that fill the elements of her compositions present the structure through the brushstrokes or parallel lines that compose them, transparency of a way of doing things also translates itself into the use of perspective – when the representation of some objects shows itself faithful to a vanishing point while others ignore it completely, reducing them to a flattened geometric shapes. Koch allows her flower jugs to float in the space and that floor and ceiling distinguishing themselves only by their color. Her graphite studies show us that her concern was not focused just in color, but also on arrangement of geometries – lines and surfaces – and the balance tones that the pencil allowed to explore though the intensities of the stroke.


Eleonore Koch, frequently mentioned as a Volpi’s disciple, had a vast and diverse background. She used to have teachers as Yolanda Mohalyl, Samson Flexor, Bruno Giorgi, Elisabeth Nobiling and Arpad Szenes. Beyond her seasons of study and work outside Brazil:  in Paris, between 1949 and 1951, and in London, between 1968 and 1989. The great part of Eleonore Koch studies and paintings present in this exhibition were produced during the twenty years, that she used to live in England. During this period, she admitted having suffered great influence from British pop art, through the work of David Hockney. This exhibition brings together some set of studies that allow the public to observe the development processes of a paint or of a pastel from little variations of the elements which compose them – as a table and a chair composition which one of the versions shows only schematics lines/traces and the other addict other chair forward a black coal background, distinguish each other in more as three versions. The work with textures, present in the use of tempera and charcoal, completed itself in the use of card paper and newspaper collage that give shapes to jugs, trees, petals and even steps of her garden stairs. Cutouts of what appear to be telephones directories of London residences give depth and rhythm to the leafy tops of the trees through the graphics of the numbers and letters that compose them.
 
Belonging to a previous generation of European immigrants who took up residence in Brazil, Alfredo Volpi (Lucca – Itália, 1896) settles down in São Paulo with one year old, younger than Eleonore. The meeting with Koch would take place 56 years later, in 1953, in his studio in the Cambuci neighborhoods, through the art collector, critic and psychoanalyst Theon Spanudis. In the same year, Volpi would win Prêmio de Melhor Pintor Nacional (the Best National Painter Award) given by Bienal of São Paulo, where he had presented his Casas (Houses), representations of facades of popular houses consisted in geometric shapes. The 50’s represented a time of maturation for Volpi’s research on the formal simplifications of his compositions. Already distanced from a certain figurativism that had guided his production until then, he had committed to build a vocabulary of elementary shapes that emerged from the doors, windows, arcs and “bandeirinhas” (small flags) that were part of his everyday life and served him to explore the possibilities of techniques and composition.

In 1911, Volpi starts his contact with painting as a decorative wall painter, craft that he maintained until the 40s. His craft expertise also supported him when he changed from oil paint to temper, going against the grain of industrial imaginary of the 50s. It was with Volpi that Eleonore learned the technics for using and preparing tempera and pigments made from natural land, and it was also from there that she began to use them frequently in her paintings, defining her style. The figuration versus abstraction debates, formalism versus informalism were quite intense in those years that Koch spent with Volpi in his studio, between 1953 and 1956.

In 1953, MAM/RJ organized in Petrópolis 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata (The First National Exhibition of Abstract Art), bringing together several trends of Abstractionism in Brazil, from the lyrical to geometric. In 1956, the Ruptura group organized the I Exposição Nacional de Arte Concreta (I National Exhibition of Concrete Art) in MAM/SP, which it already spelled out divergences within the concrete art movement itself. Despite being one of the participants in this last exhibition which also took place in Rio de Janeiro in the following year -, Volpi preferred to abdicate association with groups or movements, opting for the freedom to be able to incorporate plastics elements in his work. Such positioning can be explained not only by the frescoes he produced in the Chapel Nossa Senhora de Fátima in Brasília, but also by the painting of 50’s presented in this exhibition, in which a humanoid angel appears against a background of green and blue diamonds. This fluidity between figuration and abstraction or between formal and informal can also be found in paintings from the 70’s, such as Fitas e Mastros, for example. In this case, the work transits between one and the other through a rhythmic composition formed by the interleaving of colors in an irregular geometric mesh.


Acknowledgment

furniture: Passado Composto (Alameda Lorena, 1996 – Jardim Paulista, São Paulo – SP, telephone 3088-9128).

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