EDU SIMÕES | CLICHÊ / RIO

  • Neoarte.net / Soluções fotográficas para o mercado de arte.
  • Neoarte.net / Soluções fotográficas para o mercado de arte.
  • Neoarte.net / Soluções fotográficas para o mercado de arte.
  • Neoarte.net / Soluções fotográficas para o mercado de arte.
  • Neoarte.net / Soluções fotográficas para o mercado de arte.
  • Neoarte.net / Soluções fotográficas para o mercado de arte.
  • _MG_7058
  • Neoarte.net / Soluções fotográficas para o mercado de arte.
  • Neoarte.net / Soluções fotográficas para o mercado de arte.
  • edu-simoes-expo-01
  • edu-simoes-expo-02

galeria marcelo guarnieri | são paulo

abertura
11.julho.2015 / 10h – 17h

período de visitação
11.julho – 10.agosto.2015


download .pdf


CLICHÊ: ESSE AZUL DE NOTURNO MAR

A imagem do Cristo Redentor “visto” por trás de uma nuvem/neblina torna-se um quase símbolo para a série de imagens que Edu Simões reuniu para “exibir” como um álbum de memórias muito privada de uma cidade, o Rio de Janeiro, os seus dias, as suas glórias de “cidade maravilhosa”, os tênues limites que todo fotógrafo encontra justamente para não tornar clichê o que já é clichê: mar, pores de sol, contra planos, corpos em busca de uma perfeição que o tempo se encarregará de desfazer. Então a imagem do Cristo desaparecido nos força a olhar para dentro da cidade, num silêncio quase sagrado, numa busca cada vez mais à procura de um significado. Ali tão fluído e ao mesmo tempo quase imperceptível. O Redentor desaparecido.
Clichê seria um ensaio imagético e líquido se não fosse literatura, desde que o fotógrafo começou a percorrer pelos cantos da cidade, durante onze anos, os passos das palavras, da poesia, das crônicas, dos romances, da vida, da arte e da morte muito além da morte de Clarice, Cony, Drummond, Rubem, Machado, Millôr. Todos na primeira pessoa, todos com nome próprio. Não conheço destino mais cortante que esse: fotografar a palavra do outro. É quase um suicídio. Também poderá se tornar uma epifania. Como traduzir “eu” para uma imagem? Como traduzir “tu” para a imagem seguinte? Como tornar visível o fluxo que sopra em “quando digo eu quero dizer tu”? Como perceber a epiderme da cidade que encontra a pele e os músculos da palavra? Mais uma vez o fotógrafo caminha e vai descobrindo sua própria linguagem, a garganta das coisas.
Onze anos se passaram e o fotógrafo ali, vendo a ponte desaparecer em diagonal futurista entre homem, espaço, concreto, musgo e passagem numa busca perplexa pela arquitetura. O roteiro geográfico que se repete e repete e repete interior e exteriormente. Por que queremos que os outros vejam o que a gente viu? Não basta ver, cada um do seu jeito? Aqui não. Nada sossega a fotografia que busca a palavra. Não há descanso na voz interior do fotógrafo quando ele se depara com o elefante que é como a página de uma missiva com rumo certo. Quando a borboleta amarela sobrevoa o passado é como literatura. A representação de cavalos rompantes é como literatura. Os bustos clássicos decadentes são como literatura. Estar num lugar à beira do tempo e tão exclusivamente poderá se tornar uma fotografia. Mesmo assim, não é a imagem que traduz a palavra. Edu Simões e os dois lados da luz diagonal. O fotógrafo ao meio. Como Clarice, a atração pelo instante. O feminino incontido. O sujeito estarrecido. Esse modo “torto” de olhar o mundo. Ela aqui. Ele aqui. O clichê desaparecido: o Redentor paira sobre a cidade. O clichê isolado pela lente. Sim, poderá ser a imagem que traduz a palavra. Tudo contamina.

Diógenes Moura | Escritor e Curador de Fotografia


Edu Simões (São Paulo, 1956) iniciou sua carreira como fotojornalista em 1976. Três anos mais tarde tornou-se um dos membros fundadores da agência F4, na qual permaneceu até 1982, ano em que passou a integrar a equipe da revista IstoÉ como editor-assistente de fotografia. Em 1988, começou a atuar como autônomo e foi editor de fotografia da revista Goodyear, na qual esteve até 1992. Deu início à série de ensaios fotográficos dos Cadernos de Literatura Brasileira, do Instituto Moreira Salles, em 1996. No ano seguinte, tornou-se editor de fotografia das revistas Bravo! e República. Seu trabalho Gastronomia para um dia de trabalho duro foi exibido em 2011 no FotoRio e na Maison Europeéenne de la Photographie, em Paris. Foi contemplado com o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia 2012, Vladmir Herzog de Direitos Humanos, em 1980. Suas obras integram os acervos da Coleção Pirelli/MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), do MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo), da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do MIS-SP (Museu da Imagem e do Som de São Paulo), do MAB-Faap (Museu de Arte Brasileira), da Coleção Mastercard/Brasil, da coleção do Centro de La Imagem de México e da Maison Europeéenne de la Photographie. Em 2012 publicou o livro Amazônia pela editora Terra Virgem. Em junho de 2013 apresenta o trabalho Eu Tenho Um Sonho, exposição à céu aberto na Favela da Rocinha.

adminEDU SIMÕES | CLICHÊ / RIO