ANA SARIO – ONDE NÃO DEVERIA ESTAR

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galeria marcelo guarnieri | são paulo

abertura
03.12.2016 / 14h – 18h

período de visitação
03.12.2016 – 21.01.2017


Alameda Lorena, 1966
São Paulo – Brasil
[ mapa ]


ANA SARIO – ONDE NÃO DEVERIA ESTAR

Ana Sario parece buscar apreender em seu trabalho situações que não são passíveis de ser capturadas. Explico melhor, a atenção da artista está voltada para elementos, circunstâncias ou teorias onde uma simples representação imagética não é facilmente alcançada, e muitas vezes nem será. Assim, quando a artista pinta a paisagem da cidade a partir de fotografias por ela realizadas, sua ambição é retratar um estado de “estar na cidade”, uma espécie de olhar do transeunte, de quem anda nas ruas, ou olha a cidade através de uma janela. Quando se dedica a investigar o movimento das marés e a alteração causada por ela na paisagem, acaba encontrando a solução final pintando um gráfico que ilustra o fenômeno das marés de acordo com o movimento dos astros. Na pintura, chamada de Maré, essa figuração flerta com a abstração, o resultado final são formas geométricas em cores chapadas que, como imagem, não remetem mais à alteração provocada pela maré na paisagem, mas conceitualmente, é a melhor representação da imensidão do movimento.

É a partir da pintura-gráfico Maré que a imagem, sempre presente na produção da artista, ganha protagonismo no pensamento do trabalho. Sua pintura assume a abstração como forma de representar, e como maneira de produzir uma figuração que habita o limbo, situada entre representar e ser apenas geometria e superfície. Não que a figuração fosse condição previamente definida nos primeiros trabalhos, onde a artista partia de fotografia. Mesmo partindo de uma imagem fotográfica, sua pintura se resolveria como pintura, abre-se mão da fidelidade, a imagem é distorcida, burlada para construir a favor da pintura. Suas obras sempre buscaram os meios mais apropriados para alcançar a ideia almejada. Gravuras, desenhos, pinturas e instalações se resolvem tecnicamente dentro de suas devidas linguagens.

A imagem então vira questão em si, frames fotográficos e outros signos de imagens reproduzidas passam a integrar suas pinturas, e por vezes, os frames são o único elemento delas. Símbolos de uma ausência, o que está representado nesse frame vazio se faz presente como possibilidade ou impossibilidade de representação. É uma nova paisagem, que agora está vazia, ou cheia dela mesma.

Em Onde não deveria estar Ana Sario busca uma nova maneira de representar a paisagem, que leve em conta suas representações já firmadas pela historia da arte, mas que também assimile a imagem banal contemporânea, das estampas de tecido aos chiados televisivos. São paisagens erradas, submersas em ruídos, construídas ou apagadas por eles.

Ambas referências estão lado a lado, em pé de igualdade. Em Tilt uma paisagem esquemática, como um desenho infantil, traz uma rasura de apagamento aos seus pés, tudo marcado sobre um fundo de estamparia pintado pela artista. Já em Volpinho, duas janelas são pintadas em cores que remetem as de Volpi. É a constatação de que depois de Volpi, qualquer bandeira ou janela pintada rememora as dele. Assim como as imagens banais, as imagens das pinturas históricas, e a maneira como foram pintadas, já estão absorvidas e são amplamente reproduzidas. É por isso que vemos entre as obras referências à Cezanne, Monet, Van Gogh, além dos chiados televisivos, persianas que interrompem a vista paisagem e o fundo de tela do Windows.

É esse mundo de reproduções talhadas na memória, de coisas que nunca vimos mas achamos conhecer profundamente, que Onde não deveria estar traz. Uma mesma paisagem se reproduz de diversas maneiras, e mesmo quando são únicas, reproduzem um imaginário já assimilado porém distorcido, convertido em matéria e superfície de percepção truncada. É um ensaio sobre a busca da construção de um novo ideal de paisagem, embebido na memória de tudo o que já vimos e sabemos como imagem. Talvez Pretona seja o símbolo máximo do erro imagético proposto por Ana Sario. Revestida por um alumínio de um preto denso e profundo, ela é ao mesmo tempo uma paisagem imersa na escuridão, uma televisão pifada, ou apenas uma tela coberta por um material de cor encantadora.

Douglas de Freitas | dezembro de 2016


Ana Sario, São Paulo – SP (1984)
Vive e trabalha em São Paulo – SP.
Bacharel em Artes Visuais pela Faculdade Santa Marcelina, frequentou cursos de História da Arte com Rodrigo Naves e com Rafael Vogt Maia Rosa. Participou das coletivas: “Os Primeiros 10 Anos”, em 2011 e “Energias da Arte”, em 2009, ambas realizadas no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo e “Além da Forma” no Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, curada por Cauê Alves em 2012. Integra a publicação “Pintura Brasileira Século XXI”, da Editora Cobogó.

galeria marcelo guarnieri | são paulo

opening
December 03, 2016 / 2 – 6pm

período de visitação/exhibition
December 3, 2016 – January 21, 2017


Alameda Lorena, 1966
São Paulo – Brazil
[ map ]


ANA SARIO – ONDE NÃO DEVERIA ESTAR

In her work, Ana Sario seems to pursue to capture situations that cannot be captured. I’ll explain it better, the artist’s attention is focused on elements, circumstances or theories where a mere representation of the image is not easily achieved, and most certainly will not be. Thus, when the artist paints the landscape of the city from photographs taken by herself, her ambition is to portray a state of “being in the city”, a kind of look from the passer-by, from whoever walks on the streets, or looks at the city through a window. When she dedicates herself to investigate the movement of the tides and the alteration caused by it in the landscape, the artist ends up finding the final solution by painting a graph that illustrates the phenomenon of the tides according to the movement of the stars. In the painting, named Maré (Tide), this figuration flirts with abstraction, the final result are geometric forms in flat colors that, as an image, no longer refers to the alteration caused by the tide in the landscape, but conceptually, it’s the best representation of the movement immensity.

It’s from the graphic painting Maré (Tide) that the image, always present in the production of the artist, gains prominence in the thought of the work. Her painting takes the abstraction as a way of representing, and as a way of producing a figuration that inhabits the limbo, situated between representing and being only geometry and surface. Not that the figuration was a condition previously defined in the first works, when the artist initiated her paintings from a photography. Even from a photographic image, her painting would be resolved as painting, renouncing fidelity, the image is distorted, mocked in order to build in favor of painting. Her works have always sought the most appropriate means to achieve the desired idea. Engravings, drawings, paintings and installations are technically resolved within their proper languages.

The image then becomes a question in itself, photographic frames and other signs of reproduced images begin to integrate her paintings, and sometimes the frames are the only element of such paintings. Symbols of an absence, what is represented in this empty frame becomes present as possibility or impossibility of representation. It is a new landscape, which is now empty, or full of itself.

In Onde não deveria estar (Where it should not be), Ana Sario seeks a new way of representing the landscape, which takes into account the representations already established by the history of art, but also assimilates the contemporary banal image, from the fabric prints to the TV shrill. They are wrong landscapes, submerged in noises, built or erased by them.

Both references are side by side, on an equal footing. In Tilt, a schematic landscape, just like a child’s drawing, brings a sign of at its feet, all marked on a background of stamping painted by the artist. In Volpinho (Little Volpi), two windows are painted in colors that refer to the famous Brazilian artist Volpi. It’s the realization that after Volpi, any painted flag or window will remind his work. Like banal images, the images of historical paintings, and the way they were painted, are already absorbed and are widely reproduced. That’s why we see among Ana Sario’s works, references to Cezanne, Monet, Van Gogh, as well as the TV shrill, shutters that interrupt the landscape view and the Windows screen back ground.

It’s this world of reproductions engraved in our memory, of things we have never seen but that we consider to know, that the show Onde não deveria estar (Where it should not be) brings to the viewer. A same landscape can be reproduced in different ways, and even when they are unique, they reproduce an already assimilated but distorted imagery, converted into a matter and surface of truncated perception. It’is an essay on the search for the construction of a new landscape ideal, embedded in the memory of everything we have seen and already know as image. Perhaps Pretona (Big Black) is the maximum symbol of the image error proposed by Ana Sario. Coated by an aluminium of a dense and deep black, it is at once a landscape immersed in darkness, a broken TV, or just a canvas covered in material of a gorgeous color.

Douglas de Freitas | December 2016


Ana Sario, São Paulo – SP (1984).
Lives and works in São Paulo – SP.
Bachelor of Visual Arts from Faculdade Santa Marcelina, attended Art History courses with Rodrigo Naves and Rafael Vogt Maia Rosa. She participated in the group shows “Os Primeiros 10 Anos”, in 2011, and “Energias da Arte”, in 2009, both held at the Instituto Tomie Ohtake in São Paulo, and “Além da Forma” at Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, curated by Cauê Alves in 2012. She is part of the publication “Pintura Brasileira Século XXI”, published by Editora Cobogó.

 

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